Seguro de crédito cobre perdas em importações e exportações
No acumulado de janeiro a outubro de 2025, o Brasil bateu recordes de importações (US$ 237,33 bilhões) e exportações (US$ 289,73 bilhões), segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC). Ao fazer esse tipo de transação internacional, é comum que empresas optem pela contratação de um seguro de crédito.
Trata-se de uma modalidade de seguro que protege negócios contra o risco de inadimplência de compradores internacionais, cobrindo perdas por riscos comerciais, políticos e extraordinários. É uma forma da empresa se precaver de possíveis imprevistos em operações que, em muitos casos, tendem a ser complexas, pois envolvem envio ou recebimento de produtos de diferentes países.
“O seguro de crédito garante os recebíveis em prazos que podem chegar a 30, 60, 90, 120 ou até 180 dias. Nas operações de exportação, ele permite que o exportador brasileiro embarque a mercadoria e conceda prazo ao comprador no exterior com a segurança de que, em caso de inadimplência dentro das condições da apólice, será indenizado”, explica a economista Isadora Cunha, técnica em seguros da Genebra Seguros.
Entre os riscos comerciais protegidos pelo seguro, estão a insolvência ou falência do comprador no exterior, o atraso prolongado no pagamento (quando a fatura vence e não é quitada dentro do prazo adicional acordado), bem como o descumprimento injustificado das obrigações contratuais, como a recusa de pagamento mesmo após a entrega correta da mercadoria ou do serviço.
Já os riscos políticos dizem respeito a eventos ligados ao país do devedor, como guerras, revoluções, embargos, moratórias, restrições cambiais ou decisões governamentais que impeçam a transferência de recursos ao exportador. Em conjunto, essas coberturas permitem que a empresa continue operando em mercados externos mesmo quando o ambiente econômico e institucional é mais instável, explica Isadora Cunha.
“Ao transformar um risco de perda imprevisível em um custo recorrente e mensurável, representado pelo prêmio do seguro, a empresa ganha previsibilidade para planejar, acessar crédito e sustentar sua estratégia de expansão internacional com mais segurança. Isso evita que um não pagamento de alto valor e de difícil cobrança em outro país comprometa compromissos com fornecedores, folha de pagamento e investimentos”, detalha a profissional da Genebra Seguros.
A especialista afirma que as instabilidades econômicas e políticas dos últimos anos impulsionaram a busca pelo seguro de crédito. O motivo disso é que muitas empresas passaram a enxergar as vendas a prazo como mais arriscadas e temem que uma única falta de pagamento relevante pode comprometer o resultado de todo um período.
“Nesse cenário, o seguro de crédito deixa de ser opcional e passa a ser uma ferramenta estratégica: ele permite continuar concedendo prazo, entrando em novos mercados e mantendo volume de vendas, mas com uma camada de proteção que dá previsibilidade ao fluxo de caixa”, salienta ela.
Tendências
A economista acredita que, nos próximos anos, o seguro de crédito voltado ao comércio exterior se torne ainda mais estratégico, impulsionado tanto por tecnologia quanto pelo contexto geopolítico.
“De um lado, vemos processos cada vez mais digitais, com análise de crédito mais ágil, integração com ERPs [sistemas de gestão empresarial] e bancos, uso de bases de dados globais e ferramentas de análise preditiva, o que permite avaliar risco de compradores e países praticamente em tempo real”, exemplifica Isadora Cunha.
Do outro lado, continua ela, o Brasil tende a ganhar maior relevância nas relações internacionais, ampliar acordos comerciais e aumentar sua participação nas cadeias globais de valor, o que traz novas oportunidades, mas também mais exposição a riscos externos. Uma prova disso é que, só no agronegócio, já foram abertos 500 novos mercados internacionais desde 2023, segundo publicação do Globo Rural.
“As empresas que combinarem expansão internacional com uma estrutura robusta de gestão de risco de crédito, na qual o seguro de crédito é peça central, estarão mais bem posicionadas para crescer com solidez, visibilidade e credibilidade no mercado global”, destaca a especialista da Genebra Seguros.
Para saber mais, basta acessar o site da Genebra Seguros: https://www.genebraseguros.com.br/
