Junho Vermelho fortalece cultura da doação de sangue entre brasileiros
Junho Vermelho é vital para abastecer os estoques de sangue e salvar vidas
Com hemocentros operando no limite, campanha nacional conscientiza a população sobre o ato solidário
A campanha Junho Vermelho foi criada para conscientizar a população sobre a importância da doação de sangue. Historicamente, os meses de inverno registram quedas drásticas nos estoques dos hemocentros, impulsionadas pelas baixas temperaturas, pelo aumento de doenças respiratórias e pela proximidade das férias escolares.
O sangue humano não pode ser fabricado artificialmente, pois a ciência ainda não encontrou um substituto universal para o tecido vivo. Isso significa que, para quem está em uma mesa de cirurgia, passando por um tratamento oncológico ou se recuperando de um acidente grave, a única esperança vem da solidariedade alheia.
Uma bolsa de sangue (de aproximadamente 450 ml) é fracionada em componentes como hemácias, plasma, plaquetas e crioprecipitado. Na prática, isso significa que um único ato de doação pode salvar até quatro vidas. É um processo rápido para o doador e garante uma vida inteira para quem recebe.
A conscientização precisa começar desde cedo, criando uma cultura de doação regular na sociedade. Para o coordenador do curso de Enfermagem da UNINORTE, Victor Barbosa, o papel das instituições de ensino e dos futuros profissionais de saúde é fundamental para ecoar essa mensagem.
“A campanha Junho Vermelho é um chamado urgente para a empatia e responsabilidade social. No Centro Universitário, reforçamos que o cuidado com o próximo vai além dos hospitais. Ele começa na conscientização da comunidade. Doar sangue é um ato seguro, rápido e de um valor inestimável. Apoiar essa causa é garantir que o sistema de saúde tenha condições de continuar salvando vidas todos os dias”, ressalta Victor.
Para garantir a segurança do doador e do receptor, o Ministério da Saúde estabelece alguns critérios básicos para a triagem: ter entre 16 e 69 anos (menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis; a primeira doação deve ter sido feita até os 60 anos); pesar, no mínimo, 50 kg; estar em boas condições gerais de saúde, descansado (ter dormido, pelo menos, seis horas nas últimas 24 horas) e bem alimentado (evitando comidas gordurosas nas quatro horas que antecedem a doação); e apresentar documento oficial com foto (RG, CNH ou passaporte).
As doações podem ser feitas no hemocentro público do estado ou em postos de coleta credenciados localizados em grandes hospitais. Em Manaus, o ponto central de captação é a sede da Hemoam (Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas), além das unidades de coleta itinerantes (Vampirões) e postos avançados de atendimento que costumam ser montados em parceria com universidades e centros de compras durante a campanha.
Mitos e verdades sobre a doação de sangue
- Doar sangue emagrece ou engorda?| R: MITO – O volume de líquido doado é reposto pelo organismo em até 24 horas. A doação não interfere no metabolismo de gorduras;
- Quem doa uma vez é obrigado a doar sempre? R: MITO – É um ato 100% voluntário. Você pode doar apenas uma vez se desejar. Porém, a regularidade é o ideal;
- O processo é totalmente seguro e não vicia? R: VERDADE – Todo o material utilizado (agulhas, seringas, bolsas) é estéril, de uso único e descartável. Não há nenhum risco de contrair doenças;
- Mulheres menstruadas não podem doar? R: MITO – A menstruação é um ciclo natural. Desde que a candidata passe na triagem hematológica (avalia se há anemia), a doação pode ser feita normalmente;
- Quem tem tatuagem ou piercing nunca pode doar? R: MITO – É necessário apenas aguardar o prazo de 12 meses após a realização de tatuagem, maquiagem definitiva ou colocação de piercing (se feito em locais avaliados pela vigilância sanitária).
